Sexta-feira, Maio 13, 2011

Samba de uma Noite de Verão

Lluis Ribas 'White Satin'

O relâmpago arde na boca, vibrante
como uma vela acesa de diagramas
que me acicata nos losangos da escuridão,
a desferir naus movidas a desejo
de amotinar a melancolia que se esconde no desencontro,
na esquina em que o encontro se desencontra,
atrás da noite.

É a mulher em ti, manto de estrelas um pouco loucas
que declamam feitos e venturas em teus seios, decantando
as labaredas ainda por apagar, fátuas,
entre o afluente do ombro magoado pela urgência do beijo
e a margem do cetim, quase invisível,
inerte como um vulcão adormecido
na pele, serena,
que pensa o amor como a interesecção magnética de duas metáforas ausentes
no poema em que o encontro se desencontra,
atrás da noite.

É a mulher em ti, a pena rebelde
com a primitiva leveza de um astro, titubeando
entre o equinócio e a certeza sob a desordem do papel,
que rejubilando com a tua imperfeição
(por isso és perfeita! por isso és mulher!)
acrescenta-te à vida como uma ânfora luminosa
como uma religião de aforismos e afectos,
que desconhece verdade, negando atrocidades e dogmas
além da primavera que consagra a catarse da flor nos teus cabelos,
entrançada na ideia de que a mulher é um labirinto,
(por isso és intangível! por isso és secreta! por isso és mulher!)
onde o encontro se desencontra,
atrás da noite.

O peso da balada queima os lábios
e o imaginário tece enredos que perecem
na fugaz e etérea distância.
Mas a mulher em ti, a contradição por resolver,
vive celebrada no ritmo das palavras.
Como um desencontro por encontrar.

0 Suspiros inspirados pelo Ritmo das Palavras: