Quarta-feira, Abril 13, 2011

Cristalizações Perfumadas de um Entardecer

Henri Matisse, "Le Bonheur de Vivre"

Acrescentas-te, esbelta e aquilina,
no esplendor do entardecer,
O teu rosto projecta um sorriso
e as montanhas deslocam-se sobre vulcões,
na desordem das imagens,
com palavras de fundo murmuradas
apenas pela apocalíptica condição do olhar,
rendido à impossibilidade de acariciar
vorazmente as sumptuosidades côncavas
das tuas mãos

A brisa lavra nos meus poros
as incidências do teu perfume,
galgo constelações, concebo quimeras, desenho mundos
esculpidos à margem de tudo o que está à volta,
o tempo paralisou-se
em fugas e eclipses,
fundiu-se no troar do tempo interior
que se expele em trovões incontrolados
nos timbres titubeantes do olhar

As palavras queimam a garganta,
cortam a voz,
clamam por se aproximarem dos teus lábios,
astros fenecem num troar de palpitações na atmosfera,
galácticas no desejo,
épicas no indizível e indomável anseio
de semear nos teus dedos a melodia das guitarras

Assombro de perplexidade,
a desarrumação caleidoscópica do espaço
arruma-te num hino de harmonia
nos bosques da tua pele

Diviso-te expectante
e ofereço-te mais um cigarro
para poder vislumbrar a poesia
dos teus passos
e aspergir os tons de framboesa
que emanam dos teus lábios

0 Suspiros inspirados pelo Ritmo das Palavras: