Quinta-feira, Abril 07, 2011

Ópio de Flor de Lótus

Salvador Dali, "The Persistence of Memory"

Metamorfoses elípticas que se cinzelam na pele, encruzilhadas de rios em chamas pela força motriz e lúbrica de palavras pendendo de castelos de marfim como templos venerados em orações que se desvanecem depois da equidistância milimétrica das nuvens.
Cruzadas as margens do que antes foi leito, as sombras apagam-se e dizimam-se em oásis de páginas, de solilóquios e devaneios que não transpõem as portas da percepção por nítida clemência pelos abismos arcádicos do inconsciente.
Explodem nos olhares labaredas de pétalas de rosas deixadas ao longo das ruas de uma cidade que se prolonga até insofismáveis trevas até que algum poeta a resgate para as translações de outrora.
O mar permanece aceso de incenso. A luz do dia é mera surrealidade plasmada em retroprojectores de sonhos. A luz do dia é primavera e paixão de maresia. A luz do dia é esperanto de marés, anseio de pedras de toque em intersecção de linhas do equador.
Os astrolábios emanam odores de constelações. Encontros imprevisíveis num jardim de auroras. Margens de rio. A geometria do encanto. A languidez do feitiço.
A estrada não termina onde a imperfeição se oculta no ocaso. E aquele ópio de flor de lótus permanecerá fendido nos ardores de um clarão de labirintos.

0 Suspiros inspirados pelo Ritmo das Palavras: