Substante à margem
Teu rosto navega à meia-luz
Sem astrolábio, nem meridiano
Na exangue revolta de não permaneceres
Nem um momento mais
Enfrentando só as contendas do Oceano
E o teu olhar fenício
Astral nas simbioses do vento qual vela arpoada
Na incógnita de navegações e marés
Dobrando cabos, vergando espadas
Ignorando que os equinócios
Soçobram frágeis na inconstância do Novo Mundo que és
Senhora das Açucenas
Talvez te assemelhes vagamente ao indizível
E espingardas chorem rindo lágrimas de mel
No sal matinal dos teus lábios de luamar
Num intrépido horto de prantos ausentes
Fenecem sentidos de rotas previamente traçadas
Nesse dom de sacerdotisa de aclarares o inexplicável
Inventas alfabetos de crepúsculos nas linhas da tua mão
E acorrem as gaivotas a ti buscando a vastidão,
Paisagens tendentes à rosa dos rumos,
A espuma das ondas em teus cabelos
Como um murmurado auto de fé
Inesperado pacto de incêndios
Selado nas contradições de tempestades...

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