
Em 1498, Vasco da Gama partia para a Índia para descobrir a Rota das Especiarias. Reza a lenda de que um dos comandantes dos seus navios não partilhava da ambição da expedição, tendo deixado o seu coração em Lisboa...
Senhora minha,
As tempestades adensam-se no mar
Dias passados entre tormenta e ventura
Aquieto-me apenas ao recordar
Vossa fronte idílica de ternura
Minutos, horas, noites e dias
Amaldiçoo esta infinita clausura
Esconjuro secretamente os votos que jurei
De servir a Pátria e El-Rei
Em busca das Ilhas das Especiarias
Na solidão da noite minha alma esvaziei
Buscando consolo em vossa brandura
Os mares não conhecem fim
Lendas de marinheiros dizem ser infinitos
Quedar-me-ei aqui perdido?
Ai de mim!
Encarcerado nestes oceanos malditos
Vagueio, navegando sem sentido
Recordo-vos majestosa em vosso jardim
A primavera invejando vossa aurora solar
Emanando de vós o odor de um jasmim
E eu que pensara tudo já ter vivido
Que pensara ser audaz, destemido
Por temor à luz de vosso olhar
Meus sentimentos não fui capaz de desvelar
Fervorosamente a vós entregue, rendido
Explodia em mim o desejo de vos oscular
Cuidai Senhora, que vossa primeva beleza
Não sucumba às penas e aos cantos
De poetas vis cuja natureza
Desconhece a temperança de vossos encantos
Cuidai Senhora, não vos deixeis agraciar
Por príncipes que Vossa Graça reclamam
Jamais saberão eles ler constelações em Vosso olhar
Nem que os astros no firmamento vos amam
O vento sopra de largo, o tempo avança
Não temo encontrar sereias nem enfrentar Adamastor
Escrevo-vos nas ondas sob o signo da esperança
Lavrando em paixão, saudade e ardor
Não há contudo sageza, intempérie ou temperança
Capazes de apaziguar o ocaso deste Mal D'Amor
As tempestades adensam-se no mar
Dias passados entre tormenta e ventura
Aquieto-me apenas ao recordar
Vossa fronte idílica de ternura
Minutos, horas, noites e dias
Amaldiçoo esta infinita clausura
Esconjuro secretamente os votos que jurei
De servir a Pátria e El-Rei
Em busca das Ilhas das Especiarias
Na solidão da noite minha alma esvaziei
Buscando consolo em vossa brandura
Os mares não conhecem fim
Lendas de marinheiros dizem ser infinitos
Quedar-me-ei aqui perdido?
Ai de mim!
Encarcerado nestes oceanos malditos
Vagueio, navegando sem sentido
Recordo-vos majestosa em vosso jardim
A primavera invejando vossa aurora solar
Emanando de vós o odor de um jasmim
E eu que pensara tudo já ter vivido
Que pensara ser audaz, destemido
Por temor à luz de vosso olhar
Meus sentimentos não fui capaz de desvelar
Fervorosamente a vós entregue, rendido
Explodia em mim o desejo de vos oscular
Cuidai Senhora, que vossa primeva beleza
Não sucumba às penas e aos cantos
De poetas vis cuja natureza
Desconhece a temperança de vossos encantos
Cuidai Senhora, não vos deixeis agraciar
Por príncipes que Vossa Graça reclamam
Jamais saberão eles ler constelações em Vosso olhar
Nem que os astros no firmamento vos amam
O vento sopra de largo, o tempo avança
Não temo encontrar sereias nem enfrentar Adamastor
Escrevo-vos nas ondas sob o signo da esperança
Lavrando em paixão, saudade e ardor
Não há contudo sageza, intempérie ou temperança
Capazes de apaziguar o ocaso deste Mal D'Amor

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